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ELEIÇÕES 2026

Direita tenta repetir em Mogi a força eleitoral que elegeu Bolsonaro em 2022

Cidade é território bolsonarista consolidado, mas administrada por um prefeito de esquerda; campo conservador aposta em Flávio Bolsonaro como herdeiro dess

Publicado em 16/08/2026 às 11:09

Mogi Mirim carrega um paradoxo que vai definir boa parte do debate político local em 2026: é uma cidade de forte identidade bolsonarista nas urnas nacionais e estaduais, mas governada, na Prefeitura, por um campo que historicamente se posiciona à esquerda. Entender essa distância é o ponto de partida para qualquer leitura sobre o desempenho da direita na disputa presidencial deste ano.

Em 2022, Jair Bolsonaro venceu com folga na cidade nos dois turnos: 63,64% dos votos no primeiro (32.982 votos) e 70,30% no segundo (36.952 votos), ante 26,81% (13.896 votos) e depois 29,70% (15.611 votos) de Lula. É esse patamar — acima de 70% no confronto direto — que o campo conservador tenta reproduzir agora, com Flávio Bolsonaro surgindo como o nome natural para herdar a base eleitoral do pai. Lula, do outro lado, tenta reduzir a distância que separou os dois campos na cidade havia quatro anos. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos, ligado ao Endireita Brasil, somam-se à disputa, dividindo espaço com Flávio dentro do próprio campo de direita — uma fragmentação que pode tanto pulverizar quanto fortalecer a base bolsonarista local, a depender de como as pré-candidaturas se consolidarem até a convenção partidária.

Vale um detalhe que se repete de uma eleição para outra: assim como em 2022, a direita não tem em Mogi Mirim um nome de referência local capaz de arregimentar votos por conta própria. A força bolsonarista na cidade não nasce de uma liderança regional, mas de um eleitorado conservador que reproduz, de forma consistente, o favoritismo que a direita mantém em praticamente todo o interior paulista.

O contraponto a essa força está na Prefeitura. Paulo Silva, reeleito em 2024 pelo MDB, tem histórico de apoio a governos de esquerda — já declarou apoio a Lula em disputas anteriores e, mais recentemente, esteve em um evento político de Fernando Haddad na Unicamp, em Limeira. É um dado que expõe a distância entre o voto da cidade para cargos majoritários estaduais e nacionais e o voto para prefeito, decidido em outra lógica, mais pessoal e menos ideológica.

Essa distância também aparece quando se olha para o campo que tentou disputar a Prefeitura com Paulo Silva em 2024. Alexandre Bueno concorreu pelo Republicanos — partido do governador Tarcísio de Freitas — e terminou em terceiro lugar, com 8.028 votos. Sônia Módena, pelo PP, chegou perto de vencer, com 14.487 votos (32,75%) contra os 14.936 de Paulo Silva (33,77%), numa disputa apertada que a colocou como opção de centro na eleição municipal. Joelma Franco, pelo Novo, teve o apoio de setores da direita e somou 4.859 votos. Já Dr. Lúcia Tenório, também do MDB, seguiu um caminho mais alinhado à esquerda dentro do mesmo partido de Paulo Silva, com 1.925 votos.

O quadro municipal, portanto, mostra uma cidade dividida: um eleitorado que vota fortemente em Bolsonaro e Tarcísio nas eleições estaduais e nacionais, mas que elegeu e reelegeu, na disputa local, um prefeito de origem no campo de esquerda — em uma eleição municipal na qual, mesmo assim, a soma dos votos de candidatos identificados com a direita e o centro superou a votação de Paulo Silva. É esse cenário que a direita tenta converter a seu favor também na disputa presidencial de outubro.

Fonte: Portal da Cidade Mogi Mirim

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