ELEIÇÕES 2026
Repetição de 2022 marca disputa por SP entre Tarcísio e Haddad em Mogi Mirim
Na cidade, atual governador teve mais que o dobro dos votos do petista há quatro anos; sob Tarcísio, Estado já repassou mais de R$ 30 milhões à Santa Casa
Publicado em 16/08/2026 às 11:15
A disputa pelo governo de São Paulo em 2026 tem novo capítulo do confronto entre Tarcísio de Freitas, tentando a reeleição, e Fernando Haddad, do PT. É a repetição do duelo de 2022 — e, em Mogi Mirim, os números daquela eleição favorecem amplamente o atual governador.
No primeiro turno de 2022, Tarcísio venceu na cidade com 58,72% dos votos (27.136), contra 21,97% de Haddad (10.152 votos) — uma vantagem de mais de 36 pontos percentuais. No segundo turno, a distância diminuiu, mas permaneceu larga: 70,51% (34.717 votos) para Tarcísio ante 29,49% (14.523 votos) para Haddad.
Enquanto a disputa eleitoral se desenha, a gestão estadual já produziu, na prática, um contraste concreto com o governo federal na área da saúde — e é nesse ponto que Mogi Mirim vive um caso de estudo. Desde o segundo semestre de 2024, a Santa Casa da cidade já recebeu mais de R$ 30 milhões por meio da Tabela SUS Paulista, programa criado pelo governo estadual para complementar os valores que hospitais filantrópicos recebem do SUS federal. A iniciativa paga, em alguns procedimentos, até cinco vezes mais do que a tabela nacional — parada há anos sem reajuste equivalente durante o governo Lula. Na prática, o aporte estadual viabilizou a redução de filas de cirurgias eletivas na Santa Casa mogimiriana, um resultado que a Prefeitura, hoje sob comando de um campo alinhado à esquerda, nunca chegou a reconhecer publicamente como mérito da gestão estadual.
O contraste ganha um componente político direto: a Prefeitura de Mogi Mirim é ocupada por Paulo Silva, do MDB, um nome com histórico de apoio a governos de esquerda — ele já declarou apoio a Lula em disputas anteriores e, recentemente, esteve presente em um evento político de Haddad na Unicamp, em Limeira. É um alinhamento que expõe a distância entre a força eleitoral da direita nas urnas para governador e presidente e a condução política da administração municipal, hoje próxima do campo que Tarcísio enfrenta na disputa estadual — mesmo com a cidade sendo beneficiária direta de um programa criado pela gestão estadual.
Essa distância entre o voto majoritário e o poder local não é exclusividade da disputa para o governo do estado: ela se repete na leitura da corrida presidencial, e reforça um traço já identificado na primeira reportagem desta série — o de uma cidade que vota consistentemente à direita nas eleições de âmbito estadual e nacional, mas mantém, na gestão municipal, um prefeito de origem à esquerda.
Fonte: Portal da Cidade Mogi Mirim
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