ELEIÇÕES 2026
Marchese busca vaga na Câmara; Baleia, aliado de Tarcísio, tem apoio da esquerda
Zambelli, segunda colocada em 2022, está inelegível; Baleia Rossi terá campanha local puxada por nomes historicamente ligados à esquerda dentro do MDB
Publicado em 16/08/2026 às 08:52
A disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados tem em Vinícius Marchese o nome que mais concentra atenção em Mogi Mirim. Em 2022, o presidente do Confea foi o mais votado na cidade entre os candidatos a deputado federal, com 4.973 votos (10,56% dos válidos), mas não conseguiu se eleger — no total do estado, somou 45 mil votos, número insuficiente para atingir o quociente eleitoral e partidário exigido para a vaga. Para 2026, Marchese tenta reverter esse resultado com uma estratégia diferente: formar dobradinha com o deputado estadual Barros Munhoz, também do PSD, que concorre à reeleição na Assembleia Legislativa, concentrando esforços de campanha conjunta na região da Baixa Mogiana.
O cenário de 2022 muda em outro ponto decisivo: Carla Zambelli, então segunda colocada na cidade com 3.955 votos (8,40%), está inelegível e não disputa a vaga este ano — abrindo espaço para uma redistribuição do eleitorado bolsonarista que antes se dividia entre ela e Marchese.
Três outras candidaturas da região já estão confirmadas: Carlos Sampaio, que somou 1.381 votos (2,93%) em 2022; o delegado Bruno Lima, com 1.225 votos (2,60%) na eleição passada; e Baleia Rossi, presidente nacional do MDB, que teve desempenho discreto na cidade em 2022 — 816 votos, apenas 1,73% dos válidos.
É em torno de Baleia que a disputa ganha a camada mais peculiar desta reportagem. Hoje alinhado politicamente a Tarcísio de Freitas, o deputado terá como principais cabos eleitorais em Mogi Mirim figuras identificadas historicamente com o campo de esquerda dentro do próprio MDB. O prefeito Paulo Silva, correligionário de partido, já apoiou Lula em disputas anteriores e recentemente esteve em evento de Haddad na Unicamp, em Limeira — e deve declarar apoio a Baleia por proximidade partidária, não ideológica. Outro nome que reforça essa engrenagem é Jonas Araújo Filho, o Joninhas, secretário municipal de Mobilidade Urbana e coordenador regional do MDB, que vem declarando apoio público a candidaturas de esquerda como Haddad, Tebet e Marina Silva nas redes sociais, mas que deve fazer campanha por Baleia como articulador do partido na região.
A ex-prefeita Cláudia Botelho, hoje com posição de menor protagonismo dentro do MDB de Mogi Mirim — afastada de forma discreta pela legenda no município —, deve concentrar sua atuação de campanha em Estiva Gerbi, cidade que já governou, também em apoio a Baleia Rossi e a Jorge Caruso, candidato a deputado estadual pelo partido.
O desafio de Baleia, portanto, é conseguir um resultado expressivo em uma cidade de perfil eleitoral bolsonarista, tendo como sustentação de campanha um grupo político que, nas eleições majoritárias, historicamente apoia o campo adversário. É um contraste que só reforça o padrão observado nas reportagens anteriores desta série: em Mogi Mirim, o voto para cargos majoritários estaduais e nacionais segue uma lógica; a engrenagem política local, outra.
Fonte: Portal da Cidade Mogi Mirim
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