JUSTIÇA
Júri reconhece legítima defesa e absolve mulher por morte do marido em Mogi Mirim
Izabelle S. estava presa desde outubro de 2025; defesa sustentou histórico de agressões, ameaças e violência no relacionamento
Publicado em
10/08/2026 às 08:30
Atualizado em
O Tribunal do Júri absolveu Izabelle S., de 38 anos, acusada de matar o marido, Leonardo Lira Andrade de Lima, de 29 anos, a facadas em outubro de 2025, no Parque das Laranjeiras, em Mogi Mirim. Segundo informações publicadas pelo g1 Campinas, o Conselho de Sentença reconheceu que a mulher agiu em legítima defesa. O julgamento ocorreu na última terça-feira (4).
Durante o julgamento, os jurados reconheceram tanto a ocorrência do homicídio quanto a autoria dos golpes por Izabelle. No entanto, acolheram a argumentação apresentada pela defesa sobre as circunstâncias que antecederam o crime e decidiram pela absolvição.
Izabelle estava presa desde outubro do ano passado. Após o resultado do julgamento, ela deixou na sexta-feira (7) a Penitenciária Feminina de Mogi Guaçu, onde permanecia detida.
Imagens mostraram momento dos golpes
Inicialmente, Izabelle relatou aos policiais que ela e o marido teriam se envolvido em uma situação com uma terceira pessoa, que teria atacado Leonardo e fugido.
Durante o atendimento da ocorrência, porém, imagens de uma câmera de segurança de um estabelecimento próximo foram apresentadas à PM. A gravação indicou que os golpes haviam sido desferidos por Izabelle e que não havia uma terceira pessoa envolvida naquele momento.
O vídeo tornou-se uma das principais provas da investigação e foi utilizado pelo Ministério Público na acusação por homicídio.
A própria defesa, durante o julgamento, não contestou que Izabelle tenha desferido os golpes. A discussão levada aos jurados concentrou-se nas circunstâncias que teriam levado ao confronto e no contexto vivido pelo casal antes da cena registrada pelas câmeras.
Relatos de violência mudaram o foco do caso
Ao longo da ação criminal, Izabelle afirmou que vivia um relacionamento marcado por agressões físicas e psicológicas, ameaças e controle por parte do marido.
Segundo a versão apresentada durante o processo, no próprio dia da morte houve um episódio de violência na casa da mãe de Izabelle. Leonardo teria derrubado a mulher no chão durante uma agressão. Familiares ouvidos no processo, segundo a defesa, relataram episódios de violência e teriam confirmado uma agressão naquele dia.
Ainda de acordo com a versão apresentada pela acusada, após o casal retornar para casa, Leonardo teria exigido dinheiro para comprar drogas. Os dois teriam ido até um ponto de venda de entorpecentes e, posteriormente, ele teria consumido drogas e bebida alcoólica.
A defesa argumentou que o comportamento do homem teria se tornado mais agressivo. Mais tarde, quando o casal seguia para uma adega próxima da residência, uma nova discussão teria ocorrido. Izabelle afirmou ter temido pela própria integridade e reagido.
Um exame necroscópico realizado pela Polícia Científica identificou cocaína no organismo de Leonardo, elemento também considerado durante a discussão do contexto apresentado no processo.
Defesa questionou contexto limitado das imagens
Em manifestação divulgada após o julgamento, os advogados de Izabelle afirmaram que as imagens de segurança mostravam o momento final do episódio, mas não registravam toda a sequência de acontecimentos que antecedeu a morte.
A defesa sustentou perante os jurados que a investigação teria se concentrado inicialmente na identificação da autoria, rapidamente esclarecida pelas imagens, sem reconstruir de maneira completa o relacionamento e os acontecimentos anteriores ao confronto.
Segundo os advogados, a estratégia não foi negar ou tentar afastar a gravação. A tese foi a de que o vídeo, isoladamente, não permitiria compreender todo o contexto que culminou no homicídio.
Também foram levados ao plenário depoimentos de familiares sobre episódios anteriores de violência, além do interrogatório de Izabelle e das demais provas reunidas durante a ação penal.
Ao final dos debates entre acusação e defesa, o Conselho de Sentença acolheu a tese de legítima defesa.
Defesa diz que absolvição não representa celebração da morte
Após a decisão, a defesa ressaltou que o resultado do julgamento não deveria ser interpretado como uma celebração pela morte de Leonardo, mas como o reconhecimento, pelos jurados, da tese jurídica apresentada diante do conjunto de provas.
Os advogados também manifestaram respeito à vítima e aos familiares, ao Tribunal do Júri e às instituições envolvidas no processo.
A defesa de Izabelle foi realizada pelos advogados Leonardo Leitão Ferreira, Jorge Luiz Mabelini, João Guilherme Silverio dos Reis, Hamilton Tavares Junior e Leandro Bello Martins.
O Ministério Público ainda pode recorrer da decisão caso entenda que o resultado do julgamento foi contrário às provas reunidas no processo.
Fonte: Portal da Cidade Mogi Mirim
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