NUTRIÇÃO COM ALMA
Seu coração também sente o que você coloca no prato
Alimentação equilibrada, atividade física e outros hábitos ajudam a cuidar da saúde cardiovascular sem radicalismo ou culpa
Publicado em 20/09/2026 às 09:22
Por Elaine Navarro
Quando alguém recebe a notícia de que a pressão está alta ou que o colesterol se alterou, uma das primeiras perguntas costuma ser: “O que eu preciso parar de comer?”
Talvez essa não seja a melhor pergunta para começar.
No dia 29 de setembro é celebrado o Dia Mundial do Coração, uma oportunidade para lembrar que cuidar da saúde cardiovascular envolve muito mais do que retirar um alimento específico do prato. Nossos hábitos alimentares, a atividade física, o sono, o consumo de álcool, o tabagismo, o estresse e outros fatores participam dessa história.
Na alimentação, é comum que toda a atenção recaia sobre o sal e a gordura. Eles merecem atenção, especialmente quando consumidos em excesso, mas olhar apenas para o que precisamos reduzir pode nos fazer esquecer de algo igualmente importante: o que estamos deixando de colocar no prato?
Frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, castanhas e outras sementes oferecem fibras e diferentes nutrientes importantes para uma alimentação equilibrada. Ao mesmo tempo, uma rotina marcada pelo consumo frequente de produtos ultraprocessados pode favorecer uma ingestão elevada de sódio, açúcares, gorduras e calorias.
Mas isso não significa que precisamos transformar cada refeição em uma conta matemática ou viver com medo de determinados alimentos.
Cuidar do coração também passa pela construção de uma alimentação possível. Cozinhar mais quando houver oportunidade, variar os alimentos, observar os rótulos, reduzir gradualmente o excesso de sal e produtos ultraprocessados e aumentar a presença de alimentos in natura ou minimamente processados são mudanças que podem ser incorporadas à rotina sem a necessidade de buscar perfeição.
E existe um detalhe importante: colesterol, pressão arterial e saúde cardiovascular não dependem exclusivamente da alimentação. Histórico familiar, idade, condições de saúde e outros fatores também precisam ser considerados. Por isso, alterações em exames devem ser avaliadas individualmente pelos profissionais que acompanham cada pessoa.
Talvez cuidar do coração seja menos sobre encontrar o alimento perfeito e mais sobre observar o conjunto dos nossos hábitos.
Seu prato não precisa ser perfeito para fazer bem ao seu coração. Precisa, antes de tudo, ser possível, variado e construído com escolhas que você consiga manter.
Porque saúde cardiovascular não se constrói com uma refeição exemplar. Ela se constrói na rotina — sem radicalismo, sem culpa e sem precisar transformar o prazer de comer em medo.
Elaine Navarro é nutricionista especializada em bariátrica e transtornos alimentares e Guarda Civil Municipal de Mogi Mirim
Fonte: Portal da Cidade Mogi Mirim
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