COMÉRCIO EM DEBATE
Supermercados de Mogi Mirim podem fechar aos domingos após mudança na jornada de trabalho
Reunião na Acimm reuniu representantes de cerca de 50 estabelecimentos; empresários discutem custos da nova jornada, mas ainda não há decisão
Publicado em 01/11/2026 às 09:18
Supermercados, padarias e outros estabelecimentos comerciais de Mogi Mirim poderão deixar de funcionar aos domingos em razão das mudanças na jornada de trabalho. A possibilidade foi discutida na quinta-feira (29), durante reunião na Associação Comercial e Industrial de Mogi Mirim (Acimm), que reuniu representantes de aproximadamente 50 empresas da região. As informações são do jornal O Impacto.
A proposta ganhou apoio de parte expressiva dos participantes. Segundo o presidente da Acimm, Nelson Theodoro Junior, uma consulta realizada durante o encontro apontou que cerca de 90% dos presentes manifestaram interesse em suspender as atividades aos domingos.
Apesar da adesão à ideia, nenhuma decisão definitiva foi anunciada. O assunto continuará em discussão entre empresários e entidades representativas do comércio.
O debate ocorre após a promulgação da Emenda Constitucional 141/2026, aprovada pelo Congresso Nacional no dia 14 de outubro, que estabelece dois dias de descanso semanal remunerado e prevê a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.
Conforme as regras apresentadas durante o encontro, a primeira etapa da mudança está prevista para 15 de dezembro, quando a jornada máxima passará para 42 horas semanais.
Para os comerciantes, a principal preocupação é o impacto financeiro da medida, especialmente nos estabelecimentos que funcionam durante os sete dias da semana.
Empresários apontam aumento de custos
Durante a reunião, representantes do setor supermercadista afirmaram que a nova jornada poderá exigir a contratação de funcionários e a reorganização das escalas para assegurar os dois dias de descanso semanal.
Uma estimativa apresentada pelos próprios empresários aponta a possibilidade de aumento de aproximadamente 8,5% nos custos operacionais. O percentual, no entanto, não foi acompanhado de estudo técnico detalhado no material divulgado sobre o encontro.
A discussão envolve principalmente supermercados, padarias e açougues, segmentos que tradicionalmente mantêm atendimento aos domingos. José Estevão Bassoli, do Supermercado Stock, defendeu uma atuação conjunta dos comerciantes diante das mudanças.
“Da porta para dentro todos nós temos os mesmos problemas”, afirmou.
A comerciante Dalva Tintino, da panificadora Semeares, localizada no Jardim Maria Beatriz, também manifestou apoio à possibilidade de fechamento.
“Acho que diante das circunstâncias é uma medida válida. Temos que habituar as pessoas de que no domingo não teremos o pão fresquinho”, declarou.
Grandes redes pedem cautela
Embora a maioria dos participantes tenha demonstrado interesse no fechamento aos domingos, representantes de grandes redes defenderam uma análise mais aprofundada antes de qualquer decisão.
Antônio Carlos Majiolo, gerente de uma das unidades do Big Bom, afirmou compreender a preocupação dos comerciantes, mas destacou que a empresa possui uma avaliação própria sobre como enfrentar as mudanças.
Mauro Xavier, gerente do grupo atacadista Tenda, questionou a viabilidade de uma suspensão generalizada das atividades sem respaldo legal específico.
“Acho que o fechamento só seria viável mediante uma legislação específica”, afirmou.
Adriano Lima, integrante da direção do Supermercado Ponto Novo e representante regional da Associação Paulista de Supermercados (Apas), também recomendou cautela.
“Nós temos responsabilidades perante o público consumidor. Temos que nos organizar melhor. Esse tipo de ação pressupõe um conjunto de análises e estudo mais aprofundado. Não podemos tomar decisões na base do impulso”, declarou.
As manifestações evidenciaram diferenças de posicionamento entre estabelecimentos de menor porte e empresas que integram redes com operações mais amplas.
Discussão envolve comerciantes de quatro cidades
Além de Mogi Mirim, o encontro reuniu representantes de estabelecimentos de Mogi Guaçu, Itapira e Tambaú.
A reunião foi conduzida por Nelson Theodoro Junior e contou com a participação de Francisco de Assis Francioso, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Itapira (Sicomvit), e José Antônio Scomparim, presidente do Sincomercio de Mogi Mirim.
Segundo o presidente da Acimm, o objetivo é ampliar a mobilização do setor e encaminhar as preocupações dos empresários às autoridades responsáveis pelas decisões relacionadas às novas regras trabalhistas.
“Vamos levar o assunto para as autoridades, para os meios decisórios. Devemos fazer prevalecer o diálogo como forma de manifestar nosso posicionamento contrário e defender os nossos interesses”, declarou.
O que muda para os consumidores?
Por enquanto, não há anúncio de fechamento dos supermercados aos domingos em Mogi Mirim. O funcionamento permanece sujeito às decisões de cada estabelecimento.
A proposta discutida na Acimm ainda depende de novas conversas entre os empresários e de avaliações sobre seus impactos econômicos, trabalhistas e comerciais.
Caso parte dos estabelecimentos decida suspender o atendimento dominical, a mudança poderá alterar a rotina de consumidores que utilizam o fim de semana para fazer compras.
A possibilidade também poderá afetar trabalhadores do setor, que teriam suas escalas reorganizadas para atender às novas exigências de descanso semanal.
A Acimm informou que pretende dar continuidade às discussões, mas não anunciou prazo para uma definição.
Fonte: Portal da Cidade Mogi Mirim
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