Portal da Cidade Mogi Mirim

TRISTE FIM

Patrimônio da “era Barros”, estádio do Mogi vai a leilão para pagar dívidas

Casa do Mogi Mirim reconstruída por Wilson Fernandes de Barros está penhorada por dívida trabalhista de R$ 37 mil

Publicado em 25/03/2025 às 17:41
Atualizado em

O Estádio Vail Chaves, palco de grandes momentos do futebol e reconstruído por Wilson Fernandes de Barros, histórico presidente do Mogi Mirim entre 1982 e 2008, foi a leilão por determinação da Justiça devido a uma dívida trabalhista do clube, mas não atraiu interessados mesmo com um "desconto" de R$ 31 milhões. A informação é do portal GloboEsporte.

Sem ofertas, o leilão terminou nesta terça-feira (25). O local, interditado pela Federação Paulista de Futebol por "falta de segurança para realização de partidas de futebol", está penhorado desde abril de 2023 em garantia a uma ação que o zagueiro Dedé, com passagem pelo clube em 2017, entrou em março de 2022 na 1ª Vara do Trabalho de Simões Filho, na Bahia, cobrando R$ 37.118,14.

Durante o processo, o Vail Chaves, com uma área construída de 14.519,080 m² e arquibancadas para 25 mil pessoas, foi avaliado em R$ 63.770.694,58, mas o TRT-15 (Tribunal Regional do Trabalho) de Limeira determinou um deságio (desvalorização) de 50%, com lance mínimo de R$ 31.885.347,29.

O Vail Chaves foi o símbolo da era de ouro do Mogi Mirim, que viveu seus momentos mais gloriosos sob o comando de Wilson Fernandes de Barros. Durante sua gestão, o clube ficou conhecido nacionalmente com o "Carrossel Caipira", nos anos 90, comandado pelo saudoso técnico Vadão. O estádio testemunhou partidas históricas e revelou talentos, tornando-se um verdadeiro templo do futebol no interior paulista.

Mas o que já foi um símbolo de prosperidade entrou em declínio após a saída de Wilson Fernandes de Barros, em 2008. A crise se intensificou a partir da gestão de Rivaldo, que assumiu a presidência e, posteriormente, repassou o comando ao sucessor Luiz Henrique de Oliveira, em 2015. Desde então, o clube acumulou rebaixamentos e problemas financeiros, culminando no atual cenário de inatividade e penhoras judiciais. Nas mãos do Luiz Henrique, o Mogi Mirim acabou.

“O estádio está em processo de liberação, restando somente um dos seis laudos faltantes. Estamos finalizando este processo para podermos fazer a liberação junto à Federação Paulista de Futebol. Nossa arena passou por manutenção e reforma para ser usada em eventos e jogos das nossas categorias de base e locação para clubes interessados mandarem seus jogos” informou a presidente do Mogi ao portal GloboEsporte, Rosane Lúcia de Araújo.

A decadência do clube já colocou o Vail Chaves em risco anteriormente. Uma dívida de pouco mais de R$ 1 milhão com uma empresa de segurança levou à primeira penhora do imóvel em 2019. Além disso, a Procuradoria Geral do Estado de São Paulo também processa o Mogi Mirim para reaver o terreno do estádio, doado ao clube em 1952 sob a condição de manutenção para eventos esportivos.

Com mais de 100 processos judiciais acumulados e dívidas que somam cerca de R$ 10 milhões, o futuro do Sapão, como carinhosamente é chamado, segue incerto, enquanto torcedores acompanham, com pesar, o desfecho de um clube que já foi sinônimo de inovação e talento no futebol brasileiro.

Passado corroído

Enquanto o estádio Vail Chaves segue como alvo de decisão judicial para ser leiloado, o CT, por sua vez, não pertence mais ao clube. Desde 2013, a propriedade está registrada no nome de Rivaldo Vitor Borba Ferreira. Campeão mundial em 2002 e melhor jogador do planeta em 1999, Rivaldo despontou no futebol justamente no Mogi Mirim, em 1992, no time que ficou conhecido como "Carrossel Caipira". Em 2008, retornou ao clube como presidente.

Para quitar parte de uma dívida que o clube possuía com ele, Rivaldo recebeu dois terrenos em 2013. Um deles é o CT de Mogi Guaçu, de 79 mil metros quadrados, avaliado em valores milionários. A transferência é contestada na Justiça desde 2015 por sócios do clube, que alegam irregularidades na negociação.

A dívida do Mogi Mirim, que sempre precisou de investimentos externos para sobreviver, disparou nos anos seguintes. Quando Rivaldo deixou a presidência em 2015, os empréstimos do ex-jogador ao clube já somavam R$ 15 milhões. A crise financeira se agravou e levou o time a um declínio irreversível, culminando em seu atual ostracismo.

Enquanto a disputa jurídica segue sem definição, o Mogi Mirim permanece abandonado, sem estrutura, sem elenco competitivo e longe de sua época de glórias. O escudo enferrujado na entrada do CT é mais do que um símbolo: é um retrato da decadência do clube que já encantou o Brasil.


Fonte:

Participe do grupo do Portal da Cidade no WhatsApp