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Postos de Mogi Mirim já registram estoque mais apertado de combustíveis

Situação ainda não é de desabastecimento generalizado, mas acende sinal de atenção em meio à pressão nacional sobre o diesel

Publicado em 23/03/2026 às 09:56

Alguns postos de combustíveis de Mogi Mirim já começaram a sentir os efeitos da pressão sobre o abastecimento e operam com estoque mais apertado nos últimos dias. Em alguns casos, a informação repassada ao consumidor é de volume abaixo do normal, num movimento que ainda não configura desabastecimento generalizado na cidade, mas já entra no radar como ponto de atenção.

O cenário local aparece em meio a um ambiente nacional de forte tensão no setor. Entidades que representam postos, distribuidoras, refinarias e importadoras divulgaram nota conjunta alertando para risco de desabastecimento de diesel no país e cobrando medidas urgentes do governo federal. Segundo o documento, as ações anunciadas até agora ajudam a aliviar parte da pressão, mas têm efeito limitado no preço final e nas condições de suprimento ao longo da cadeia.

A preocupação maior gira em torno do diesel, combustível essencial para o transporte rodoviário e, por consequência, para a logística de abastecimento das cidades. Na avaliação das entidades do setor, se a Petrobras não alinhar seus preços e não ampliar a oferta de volumes, o risco de instabilidade pode aumentar ainda mais. A nota fala em necessidade de providências rápidas para evitar agravamento do quadro de abastecimento nacional.

Nos últimos dias, o governo federal anunciou medidas para tentar conter os efeitos da alta internacional do petróleo, como a zeragem de PIS/Cofins sobre o diesel. A intenção declarada foi reduzir a pressão sobre um insumo considerado central para o transporte de cargas, o abastecimento urbano e o custo de vida.

Mesmo assim, o mercado segue em alerta. Reportagem da Reuters mostrou que a ANP mandou a Petrobras garantir volumes de diesel e gasolina que seriam ofertados em leilões cancelados, justamente dentro de uma estratégia de monitoramento dos estoques e das importações para evitar interrupções no suprimento. A própria agência reguladora informou que, até aquele momento, não havia falta generalizada identificada, mas reforçou o acompanhamento do cenário.

Outra pressão vem do fato de que o Brasil ainda depende de importação para cerca de um quarto do diesel consumido no país. Com a disparada do petróleo no mercado internacional, puxada pela guerra no Oriente Médio, a cadeia de fornecimento ficou mais sensível, tanto no preço quanto na disponibilidade do produto. A Petrobras, em resposta, elevou a carga de operação de refinarias para tentar ampliar a oferta interna.

Em Mogi Mirim, o momento ainda pede mais atenção do que alarde. O quadro observado até aqui não aponta paralisação ampla no abastecimento, mas indica que a cidade já começa a sentir os reflexos de um problema que deixou de ser apenas nacional ou internacional e passou a encostar na rotina local. Se a pressão persistir nos próximos dias, o impacto pode aparecer não só nas bombas, mas também no transporte, no frete e, mais adiante, no custo de produtos e serviços.

A leitura no setor é de cautela. Em uma cidade que depende intensamente da circulação por rodovias e da distribuição regional de mercadorias, qualquer aperto na oferta de combustíveis, mesmo inicial e pontual, já basta para acender o sinal amarelo.

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