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CRISE

Fim da “taxa das blusinhas” pode ampliar desafios do comércio de rua

Decisão do presidente Lula pode afetar lojistas de Mogi Mirim, que já estão em crise, diante da concorrência do comércio eletrônico

Publicado em 14/05/2026 às 09:22

A decisão do governo federal de zerar o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como fim da “taxa das blusinhas”, pode aumentar os desafios enfrentados pelo comércio de rua em cidades como Mogi Mirim.

A medida, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entra em vigor nesta quarta-feira (13) e elimina o imposto federal de importação para compras internacionais de até US$ 50, mantendo apenas a cobrança de 20% de ICMS.

Na prática, plataformas estrangeiras como Shein, Shopee e AliExpress passam a ter custos menores nas vendas para consumidores brasileiros, ampliando a competitividade em relação às lojas físicas e pequenos varejistas nacionais.

Em Mogi Mirim, o comércio tradicional já enfrenta há anos a concorrência crescente do comércio eletrônico e também de centros de compras maiores da região, o que impacta o fluxo de consumidores no comércio de rua.

Entidades nacionais ligadas ao varejo e à indústria avaliam que a mudança pode aumentar essa pressão, principalmente sobre micro e pequenas empresas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a decisão cria vantagem para fabricantes estrangeiros em relação à produção nacional.

Já o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) alertou para possíveis impactos nas vendas do varejo brasileiro, especialmente entre pequenos comerciantes, além de reflexos na indústria nacional.

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) também criticou a medida e afirmou que empresas brasileiras continuam enfrentando alta carga tributária e custos operacionais maiores que os concorrentes internacionais.

Os efeitos podem ser sentidos principalmente em segmentos populares do varejo, como roupas, acessórios, eletrônicos e utilidades domésticas — áreas que têm forte presença no comércio de rua de cidades do interior.

Por outro lado, representantes das plataformas internacionais defendem que a decisão amplia o poder de compra da população e facilita o acesso a produtos mais baratos.

Mesmo sem um impacto imediato mensurável, especialistas do setor avaliam que a tendência é de aumento da concorrência sobre o varejo físico, especialmente em municípios onde o comércio tradicional já vem enfrentando perda de espaço para as compras online.

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