A decisão do governo federal de zerar o imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como fim da “taxa das blusinhas”, pode aumentar os desafios enfrentados pelo comércio de rua em cidades como Mogi Mirim.
A medida, anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entra em vigor nesta quarta-feira (13) e elimina o imposto federal de importação para compras internacionais de até US$ 50, mantendo apenas a cobrança de 20% de ICMS.
Na prática, plataformas estrangeiras como Shein, Shopee e AliExpress passam a ter custos menores nas vendas para consumidores brasileiros, ampliando a competitividade em relação às lojas físicas e pequenos varejistas nacionais.
Em Mogi Mirim, o comércio tradicional já enfrenta há anos a concorrência crescente do comércio eletrônico e também de centros de compras maiores da região, o que impacta o fluxo de consumidores no comércio de rua.
Entidades nacionais ligadas ao varejo e à indústria avaliam que a mudança pode aumentar essa pressão, principalmente sobre micro e pequenas empresas. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a decisão cria vantagem para fabricantes estrangeiros em relação à produção nacional.
Já o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV) alertou para possíveis impactos nas vendas do varejo brasileiro, especialmente entre pequenos comerciantes, além de reflexos na indústria nacional.
A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) também criticou a medida e afirmou que empresas brasileiras continuam enfrentando alta carga tributária e custos operacionais maiores que os concorrentes internacionais.
Os efeitos podem ser sentidos principalmente em segmentos populares do varejo, como roupas, acessórios, eletrônicos e utilidades domésticas — áreas que têm forte presença no comércio de rua de cidades do interior.
Por outro lado, representantes das plataformas internacionais defendem que a decisão amplia o poder de compra da população e facilita o acesso a produtos mais baratos.
Mesmo sem um impacto imediato mensurável, especialistas do setor avaliam que a tendência é de aumento da concorrência sobre o varejo físico, especialmente em municípios onde o comércio tradicional já vem enfrentando perda de espaço para as compras online.