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AVIAÇÃO

Cenipa investiga queda com morte em aeroporto de Mogi; local tem histórico de acidentes

Investigadores estão no aeroporto nesta quinta-feira (30); área tem pista de terra e convive há décadas com pendências sobre desapropriação e estrutura

Publicado em 30/07/2026 às 09:19

(Foto: Claudio Felicio/Portal da Cidade Mogi Mirim)

Investigadores do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) estão na manhã desta quinta-feira (30) no Aeroporto Municipal de Mogi Mirim para os primeiros trabalhos relacionados à queda da aeronave que matou o piloto e instrutor de voo Leonardo Bezerra Pinheiro, de 25 anos, na tarde de quarta-feira (29). O órgão abriu investigação para apurar as circunstâncias do acidente.

A presença da equipe ocorre menos de 24 horas após a queda. Nesta fase inicial, os investigadores realizam a chamada ação inicial, que pode envolver levantamento de informações, análise dos destroços, registros da operação e outros elementos considerados relevantes para reconstruir as circunstâncias do acidente. A investigação conduzida pelo sistema de prevenção aeronáutica tem como finalidade identificar fatores que possam contribuir para evitar novas ocorrências.

Leonardo era morador de Itapira e instrutor da escola de aviação Sport Pilot, instalada no aeroporto. Segundo informações apuradas pelo Portal da Cidade Mogi Mirim, ele estava sozinho na aeronave de pequeno porte e havia acabado de decolar quando teria enfrentado problemas.

As informações preliminares indicam que o piloto teria percebido uma possível pane no motor e tentado retornar ao aeroporto. Durante a manobra, a aeronave perdeu estabilidade e caiu em uma área próxima à pista. Após o impacto, o avião foi tomado pelas chamas. As circunstâncias exatas, entretanto, dependem da investigação técnica e ainda não há conclusão oficial sobre o que provocou a queda.

O acidente volta a colocar em evidência o Aeroporto Municipal de Mogi Mirim e uma história marcada por acidentes, limitações estruturais e questões fundiárias que atravessam décadas.

Pista ainda é de terra

Apesar de servir à aviação privada, à formação de pilotos e à operação de aeronaves de pequeno porte, o aeroporto de Mogi Mirim ainda possui pista de terra.

O local não recebe voos comerciais regulares e, ao longo dos anos, projetos e discussões sobre melhorias da infraestrutura aeroportuária fizeram parte do debate no município. A área, porém, também carrega um antigo imbróglio relacionado à própria situação do terreno onde o aeroporto foi instalado.

A desapropriação da área remonta à época da extinta Usina Nossa Senhora Aparecida e, historicamente, o pagamento da indenização pela propriedade permaneceu como uma pendência. A situação fundiária tornou-se um dos entraves relacionados ao futuro do aeroporto e aos projetos para ampliar e modernizar sua estrutura.

O aeroporto também não integra a estrutura estadual de aeroportos administrados pelo Governo de São Paulo, permanecendo sob responsabilidade municipal. A combinação entre a situação fundiária, a infraestrutura existente e as discussões sobre investimentos acompanha há anos o debate sobre qual deverá ser o futuro da área.

Segundo acidente apenas neste ano

A morte de Leonardo ocorre pouco mais de seis meses depois de outro acidente registrado no mesmo aeroporto.

Em 11 de janeiro, uma aeronave experimental do tipo ultraleve cabinado, prefixo PUG-KA, ultrapassou o limite da pista e avançou por um desnível na região da cabeceira. O piloto, único ocupante, sofreu ferimentos leves e foi levado à Santa Casa de Mogi Mirim.

Naquela ocorrência, equipes dos Bombeiros Municipais e da GCM (Guarda Civil Municipal) atenderam o acidente. A aeronave permaneceu na área para avaliação.

O histórico recente se soma a acidentes fatais registrados anteriormente. Em 2014, um ultraleve caiu durante uma decolagem e o piloto, de 36 anos, morreu após ser socorrido em estado grave. Em 2016, outro acidente envolvendo um ultraleve terminou com a morte de um piloto de 63 anos após uma queda logo depois da decolagem.

Entre o acidente fatal de 2016 e a tragédia desta quarta-feira, não havia registro recente de morte em acidente aeronáutico no local, conforme o histórico levantado anteriormente pelo Portal da Cidade.

Investigação começa

Agora, caberá à investigação aeronáutica buscar elementos que permitam compreender o que ocorreu com a aeronave pilotada por Leonardo na quarta-feira.

A abertura da investigação não significa que exista, neste momento, uma causa determinada para o acidente. Informações sobre possível falha mecânica, condições da aeronave, operação do voo e demais circunstâncias precisarão ser confrontadas com os elementos técnicos levantados pelo Cenipa.

Enquanto a investigação começa, a tragédia também recoloca no debate a situação de um aeroporto que, embora faça parte da história da aviação em Mogi Mirim, continua operando com pista de terra e cercado por uma antiga discussão fundiária e pelo desafio de definir seu futuro estrutural.

Fonte: Portal da Cidade Mogi Mirim

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