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NUTRIÇÃO COM ALMA

Frio, fome e rotina: por que você come mais no inverno?

Entenda como o inverno influencia o apetite e descubra estratégias para manter uma alimentação equilibrada.

Publicado em 28/06/2026 às 08:52
Atualizado em

Por Elaine Navarro

Com a chegada dos dias mais frios, uma queixa costuma aparecer com frequência: “Parece que minha fome aumentou”. E, na maioria das vezes, essa percepção não é apenas impressão.

O inverno realmente pode influenciar o comportamento alimentar. Nosso organismo precisa manter a temperatura corporal estável e, para isso, ocorre um aumento do gasto energético. Embora esse aumento não seja tão significativo quanto muitas pessoas imaginam, ele pode contribuir para uma maior sensação de fome em algumas situações.

Mas a explicação não está apenas na fisiologia. O frio também muda a nossa rotina. Passamos mais tempo dentro de casa, reduzimos atividades ao ar livre, bebemos menos água e buscamos alimentos que proporcionem conforto. É comum surgir mais vontade de consumir massas, chocolates, doces, pães, bebidas quentes e preparações mais calóricas. E não há nada de errado em consumir esses alimentos. O problema surge quando o conforto passa a ser a principal estratégia para lidar com o frio.

Outro fator importante é a redução da atividade física. Nos meses mais frios, muitas pessoas deixam de caminhar, faltam mais aos treinos e passam mais tempo sentadas. Ao mesmo tempo, a ingestão alimentar aumenta. Essa combinação costuma favorecer o ganho de peso ao longo do inverno.

Existe ainda uma questão que poucas pessoas observam: a hidratação. No calor, a sede é evidente. No frio, ela diminui. Muitas vezes, a pessoa passa horas sem beber água e interpreta alguns sinais do corpo como fome. Manter uma hidratação adequada continua sendo fundamental em qualquer estação do ano.

Como nutricionista, percebo que o segredo não está em lutar contra o inverno. Está em adaptar a rotina a ele.

Sopas, caldos e preparações quentes podem fazer parte de uma alimentação equilibrada. Chás sem açúcar também ajudam a trazer conforto. O importante é que essas escolhas sejam planejadas e não apenas respostas automáticas ao frio.

O mesmo vale para a atividade física. Como já falei aqui outras vezes, nem sempre a motivação estará presente para sair da cama cedo ou enfrentar temperaturas mais baixas. Mas é justamente nessa época que a constância faz diferença. O objetivo não precisa ser fazer mais. Precisa ser continuar fazendo.

Como alguém que luta contra a obesidade, sei que o inverno costuma ser um período desafiador. O frio convida ao conforto, e o conforto muitas vezes convida ao excesso. Por isso, é importante lembrar que saúde não depende da estação do ano. Ela depende das escolhas que repetimos diariamente.

Se você percebe que sente mais fome no inverno, não encare isso como um problema. Encare como um sinal de que sua estratégia precisa de alguns ajustes. Porque o frio pode até mudar a rotina. Mas não precisa mudar seus objetivos.

Elaine Navarro é nutricionista especializada em bariátrica e transtornos alimentares e Guarda Civil Municipal de Mogi Mirim

Fonte: Portal da Cidade Mogi Mirim

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