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NUTRIÇÃO COM ALMA

Saúde não é peso na balança

Mais do que números, saúde está na rotina, na composição corporal e na constância dos hábitos

Publicado em 26/04/2026 às 08:02

Por Elaine Navarro

Durante muito tempo, o peso foi tratado como o principal indicador de saúde. Subir na balança virou sinônimo de sucesso ou fracasso. Mas a verdade é que esse número, isoladamente, diz muito pouco.

O peso não mostra qualidade de massa muscular, não reflete nível de condicionamento físico, não indica equilíbrio hormonal e muito menos traduz como está a sua rotina. Ainda assim, muitas pessoas baseiam toda a sua percepção de progresso nele.

É possível emagrecer e não estar saudável. Assim como é possível manter ou até aumentar o peso e, ainda assim, melhorar significativamente a saúde.

Quando o foco está apenas na balança, decisões equivocadas começam a aparecer. Dietas extremamente restritivas, perda rápida de peso, redução de massa muscular e uma falsa sensação de resultado. O corpo responde no início, mas dificilmente sustenta.

Saúde de verdade envolve composição corporal, disposição, qualidade do sono, constância no treino, relação equilibrada com a alimentação e estabilidade emocional.

A massa muscular, por exemplo, tem um papel fundamental. Ela participa do metabolismo, da força, da proteção articular e da funcionalidade do corpo no dia a dia. Muitas vezes, o aumento de peso está relacionado ao ganho de músculo, não de gordura. E isso muda completamente a leitura do resultado.

Outro ponto importante é a forma como você se sente. Energia ao longo do dia, capacidade de treinar, foco no trabalho, recuperação física. Tudo isso são marcadores reais de saúde que não aparecem na balança.

Existe também uma questão importante de percepção e expectativa. Muitas pessoas condicionam sua motivação ao número da balança, o que gera um ciclo de frustração quando ele não muda na velocidade esperada. Só que o corpo não responde de forma linear. Existem fases de adaptação, retenção hídrica, ganho de massa muscular e ajustes metabólicos que não são visíveis no peso, mas são fundamentais para a construção de um resultado sólido e duradouro.

Isso não significa ignorar o peso. Ele é um dado importante, mas não pode ser o único. Quando ele se torna o centro de tudo, o processo perde qualidade. Saúde não se constrói com pressa. Se constrói com consistência, boas escolhas repetidas e uma visão mais ampla do próprio corpo.

Ao invés de perguntar apenas “quanto eu peso?”, talvez a pergunta mais importante seja: como está a minha rotina? Porque no fim, é ela que determina o resultado.

Elaine Navarro é nutricionista especializada em bariátrica e transtornos alimentares e Guarda Civil Municipal de Mogi Mirim


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