Essa semana completo 16 anos de cirurgia bariátrica e falar sobre isso é, antes de tudo, falar sobre um processo que está longe de ser simples. Quando eu fiz a cirurgia, optei pelo bypass, em técnica aberta. Na época, isso exigiu muito mais cuidado, um pós-operatório mais delicado e uma fase inicial cheia de restrições.
Nada foi imediato. Nada foi fácil. Com o passar dos anos, eu aprendi a me alimentar melhor. Mas, sendo muito honesta, o que realmente mudou não foi só a alimentação. Foi a forma como eu organizei a minha vida.
Eu entendi que, sem rotina, não existe resultado duradouro. O exercício físico deixou de ser opcional e passou a ser parte da minha estrutura. O planejamento alimentar virou base, não exceção. E, principalmente, a saúde mental passou a ter um papel central.
Durante muito tempo, precisei de acompanhamento psicológico. E essa não é uma fase que “acaba”. Até hoje, eu cuido disso com atenção. Porque a cirurgia atua no corpo, mas o comportamento precisa ser trabalhado todos os dias.
Eu nunca deixei de fazer suplementação. Isso também faz parte do processo de quem passou por uma bariátrica. Não é detalhe. É cuidado contínuo.
E existe um ponto que poucas pessoas falam: não fica fácil com o tempo. Nem mesmo sendo nutricionista, com todo o conhecimento técnico, eu ainda me vejo, em muitos momentos, como aquela paciente bariátrica. A compulsão alimentar não desaparece por completo. Ela precisa ser controlada, entendida e enfrentada com constância. É uma construção diária.
Na pandemia, por exemplo, eu tive um reganho de peso significativo. Foram quase 10 quilos, algo que não tinha acontecido em todos esses anos. Foi um momento desafiador, que mostrou, mais uma vez, que o processo nunca está “garantido”. Mas também foi a prova de que constância funciona. Com organização, treino e ajustes na alimentação, consegui retomar o controle e voltar ao peso desejado.
Hoje, inclusive, meu peso pode não ser exatamente o mesmo de antes, mas minha composição corporal mudou. A musculação trouxe um ganho importante de massa muscular. Foi uma escolha necessária para melhorar o aspecto do corpo, que, após o emagrecimento, apresentava flacidez. Isso também faz parte da realidade.
A bariátrica não é um ponto final. É um ponto de partida. Ela abre caminho, mas quem sustenta o resultado é a rotina. São 16 anos de escolhas diárias, ajustes constantes e muita consciência. Não existe perfeição. Existe consistência.