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De volta à quadra, Dirceu revive história no Jogo das Estrelas diante da filha

Ex-jogador da seleção brasileira de vôlei e atual secretário de Governo foi chamado por Giba e Serginho para entrar em quadra em Campinas, no domingo

Publicado em 21/05/2026 às 22:52
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Dirceu Paulino foi ao Ginásio do Taquaral, em Campinas, apenas para assistir. A ideia era acompanhar o Jogo das Estrelas do vôlei brasileiro, evento promovido pelo ex-líbero Serginho Escadinha, rever antigos companheiros e apresentar à filha Liz, de 16 anos, um pouco do universo que marcou sua vida.

Mas bastou chegar para o roteiro mudar.

O evento reuniu nomes consagrados do vôlei brasileiro, estrelas do passado e atletas ainda em atividade, incluindo jogadores da Superliga e ídolos da geração mais vitoriosa da história da seleção masculina. Em meio a tanta gente de renome, Dirceu acabou sendo chamado para algo que não estava nos planos: vestir o uniforme e voltar à quadra.

O convite, ou quase convocação, veio de Giba e Serginho. Dirceu tentou recusar. Disse que não jogava havia mais de dez anos, que não estava preparado e que seu nome nem constava na lista do jogo. Não adiantou. Giba pediu para incluí-lo, Serginho providenciou o uniforme e os antigos companheiros fizeram questão de vê-lo em quadra.


“Eu fui lá só para apresentar esse mundo para minha filha. Quando me chamaram, falei que não tinha condição, que não jogava há mais de dez anos. Mas eles insistiram. Quando me viram, pararam o alongamento e vieram me chamar. Foi uma coisa muito espontânea”, contou Dirceu.

Para o ex-atleta, o momento teve um peso que ia muito além da partida. Liz nunca tinha visto o pai jogar. Quando Dirceu encerrou a carreira, ela ainda era pequena demais para acompanhar sua trajetória nas quadras.

“Minha filha não me viu jogar, e isso é uma coisa que sempre deixou ela triste. Então, ver aqueles ícones do esporte chegando perto dela e falando que eu fui um dos bons, ouvir gente como Serginho, Giba e Bruno comentando sobre a minha história, foi um orgulho enorme. Foi como se eu pudesse mostrar para ela uma parte da minha vida que ela só conhecia por fotos e histórias”, afirmou.


O reencontro também fez o passado voltar com força. Dirceu jogou desde a seleção juvenil ao lado de nomes como Giba e integrou a equipe que disputou o Mundial Juvenil de 1995, na Malásia. Na seleção principal, viveu o ciclo de ouro do vôlei brasileiro, período em que o país reuniu alguns dos maiores nomes da modalidade.

“Não tem como não passar um filme na cabeça. A gente se encontra, conversa, lembra da seleção juvenil, do Mundial na Malásia, de tudo o que viveu. E também fala muito do vôlei de hoje, de como as coisas mudaram”, disse.

A geração de Dirceu conviveu com uma concorrência brutal. Na ponta, posição em que atuava, o Brasil tinha nomes como Giba, Dante, Giovane, Carlão, Tande  e Nalbert. Ainda assim, o mogimiriano esteve muito perto de disputar os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004. Foi o penúltimo corte daquela seleção.

“Triste por não ir para a Olimpíada? Claro que todo atleta sonha com isso. Mas eu fico muito feliz de ter feito parte daquele ciclo. Era uma seleção absurda, com jogadores de altíssimo nível. Estar ali, disputar espaço com aqueles caras e, depois de tantos anos, ser reconhecido por eles, para mim é motivo de muito orgulho”, afirmou.


Nascido em Mogi Mirim, Dirceu da Silva Paulino construiu uma carreira sólida no voleibol nacional e internacional. Foi medalha de prata no Campeonato Mundial Juvenil de 1995 e bronze na Liga Mundial de 2000 com a seleção brasileira. Em clubes, disputou 15 edições da Superliga, chegou a nove finais e conquistou cinco títulos nacionais, além de passagens por equipes da Grécia, Rússia, Suíça, Porto Rico e Omã.

Também foi campeão da Taça CEV pelo Olympiakos, da Grécia, e acumulou títulos no Brasil e no exterior. Na temporada 2003/2004, tornou-se o primeiro jogador a atingir a marca de 2 mil pontos na Superliga.

Mas, no domingo, o currículo parecia ficar em segundo plano. O que falou mais alto foi a amizade preservada com antigos companheiros e o reconhecimento de quem dividiu com ele os anos mais competitivos do vôlei brasileiro.

“Parece que o tempo não passou. A gente se encontra depois de tantos anos e a amizade é a mesma. É uma geração que ganhou tudo, que marcou o vôlei brasileiro. E eu aprendi muito com esses caras. Aprendi na dureza, na cobrança, ao lado de grandes campeões”, disse.

Depois das quadras, Dirceu levou para a vida pública parte daquilo que construiu no esporte. Foi secretário de Esporte, eleito vereador, líder de governo, presidente da Câmara Municipal e hoje é secretário de Governo da Prefeitura de Mogi Mirim.

Nos bastidores políticos, costuma ser reconhecido pela capacidade de articulação, leitura de ambiente e liderança de grupo — características que nasceram muito antes, dentro das quadras.

No Ginásio do Taquaral, porém, Dirceu voltou por alguns minutos ao lugar onde tudo isso começou. Reencontrou amigos, ouviu elogios, entrou em quadra sem planejamento e viveu uma cena que dificilmente esquecerá.

Mais do que reviver a própria história, conseguiu apresentá-la à filha.

E talvez esse tenha sido o ponto mais importante daquele jogo.



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