NUTRIÇÃO COM ALMA
Introdução alimentar: os primeiros encontros da criança com a comida
Mais do que conhecer novos sabores e texturas, essa fase é marcada por descobertas, desenvolvimento da autonomia e respeito aos sinais de fome e saciedade
Publicado em 11/10/2026 às 07:11
Por Elaine Navarro
Você se lembra da primeira vez que provou uma manga, sentiu a acidez de uma laranja ou descobriu uma textura diferente na boca? Provavelmente não. Mas houve um dia em que tudo isso aconteceu pela primeira vez.
Na semana em que celebramos o Dia das Crianças, seguimos nossa série sobre alimentação materno-infantil chegando a uma fase cheia de descobertas: a introdução alimentar.
Por volta dos seis meses, além do leite materno, ou da fórmula infantil, quando utilizada, outros alimentos começam a fazer parte da rotina do bebê. E essa fase vai muito além de oferecer nutrientes. Para a criança, comer é conhecer cores, cheiros, sabores e texturas completamente novos.
Alguns alimentos serão aceitos rapidamente; outros poderão ser recusados várias vezes. Isso faz parte do aprendizado. Por isso, a introdução alimentar não deveria se transformar em uma preocupação apenas com “quanto o bebê comeu”. Explorar os alimentos e desenvolver habilidades também são conquistas importantes.
Outra dúvida frequente é sobre como oferecer a comida. Papinhas, alimentos amassados, em pedaços ou a introdução alimentar conduzida pelo bebê, na qual ele participa mais ativamente, pegando os alimentos com as próprias mãos. Mais importante do que escolher o método da moda é respeitar o desenvolvimento da criança e oferecer alimentos em consistências, formatos e tamanhos adequados e seguros.
E existe uma aprendizagem que merece atenção desde cedo: reconhecer a própria fome e a saciedade.
Quando o bebê demonstra que não quer mais comer, insistir em “só mais uma colher”, distrair com telas ou transformar a refeição em negociação pode dificultar essa percepção. O adulto oferece alimentos adequados e um ambiente seguro; a criança precisa ter espaço para demonstrar seus sinais.
Também não precisamos ensinar que determinados alimentos são prêmio. “Se comer tudo, ganha sobremesa” pode parecer inofensivo, mas começa a estabelecer uma relação de recompensa com a comida.
E paciência faz parte do processo. Uma careta não significa necessariamente que o bebê não gostou. Recusar hoje não significa recusar para sempre. Conhecer um alimento pode exigir vários encontros: olhar, tocar, cheirar, provar e, algumas vezes, rejeitar.
Talvez essa seja uma das partes mais bonitas dessa fase: para aquela criança, existe um mundo inteiro de sabores esperando para ser descoberto.
Com o crescimento chegam as preferências, os primeiros “nãos” e o desejo de escolher. E assim começa outra etapa: depois do primeiro ano, comer também se transforma em aprendizado, autonomia e comportamento.
Elaine Navarro é nutricionista especializada em bariátrica e transtornos alimentares e guarda civil municipal de Mogi Mirim.
Fonte: Portal da Cidade Mogi Mirim
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