Portal da Cidade Mogi Mirim

NUTRIÇÃO COM ALMA

Antes da primeira colher: alimentação na gestação e amamentação

Série sobre alimentação materno-infantil começa com os cuidados na gestação e a importância do apoio às mães durante a amamentação

Publicado em 06/10/2026 às 09:00

Por Elaine Navarro

Outubro é o mês das crianças. Por isso, nas próximas quatro semanas, esta coluna terá uma série especial sobre alimentação materno-infantil. Vamos percorrer diferentes fases dessa história, começando por um período em que a criança ainda nem se sentou à mesa: a gestação e a amamentação.

A relação com a alimentação começa antes da primeira colher.

Durante a gestação, o organismo materno passa por inúmeras adaptações para favorecer o desenvolvimento do bebê. Isso aumenta a importância de uma alimentação variada e adequada às necessidades dessa fase.

Mas estar grávida não significa simplesmente “comer por dois”. Mais importante do que aumentar indiscriminadamente a quantidade é olhar para a qualidade e a variedade do que se come.

Frutas, verduras, legumes, feijões, cereais e fontes de proteínas, entre outros alimentos in natura ou minimamente processados, podem compor essa rotina. É preciso respeitar as necessidades individuais, a cultura, as preferências e, claro, as condições de cada família.

Também é uma fase cercada por conselhos. De repente, familiares, amigos e até as redes sociais parecem saber exatamente o que a gestante deve ou não comer.

Alguns cuidados realmente são necessários, inclusive em relação à segurança dos alimentos. Mas restrições sem indicação podem tornar um período tão importante ainda mais difícil. Por isso, a orientação individualizada faz diferença.

Depois do nascimento, começa uma nova etapa. O leite materno oferece nutrientes importantes e proteção para o bebê, além de proporcionar contato, vínculo e acolhimento. Quando possível, o aleitamento materno deve ser incentivado e apoiado.

E aqui faço questão de destacar uma palavra: apoiado.

Amamentar é um processo que pode envolver dificuldades, dor, insegurança, questões de saúde, rotina de trabalho e muitas outras circunstâncias.

Eu mesma não consegui amamentar meu filho e, na época, me senti imensamente frustrada. Havia uma expectativa de que aquilo aconteceria naturalmente. Quando não aconteceu como eu imaginava, foi difícil lidar com esse sentimento.

Hoje, olhando também com a experiência profissional, entendo o quanto precisamos ter cuidado com a forma como falamos sobre amamentação.

Incentivar e informar sobre seus benefícios é fundamental, mas isso não pode se transformar em culpa para a mulher que não conseguiu ou não pôde amamentar.

Uma mãe não deve ter sua capacidade de cuidar medida pela forma como conseguiu alimentar seu bebê.

Nutrição materno-infantil também é acolhimento. É compreender que mães, bebês e famílias possuem histórias e realidades diferentes e que o cuidado precisa respeitar essas particularidades.

Antes mesmo de experimentar uma fruta, um legume ou qualquer outro alimento, o bebê já percorreu uma importante trajetória de crescimento, nutrição e cuidado.

E então chega um momento que costuma gerar muitas dúvidas nas famílias: quando o leite deixa de ser o único alimento e começa a descoberta de novos sabores, aromas e texturas?

É daí que continuaremos nossa série: os primeiros encontros da criança com a comida e o início da introdução alimentar.

Elaine Navarro é nutricionista especializada em bariátrica e transtornos alimentares e guarda civil municipal de Mogi Mirim.

Fonte: Portal da Cidade Mogi Mirim

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